quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

As crônicas de Nárnia_ O sobrinho do mago_ pag.18


-Tudo a seu tempo, rapaz. Eu era uma das poucas pessoas que minha madrinha gostava de ver quando adoeceu gravemente. Ela não se dava com pessoas comuns, ignorantes, entende? Também eu sou assim. Mas ambos nos interessávamos pelas mesmas coisas. Poucos dias antes de morrer, ela me disse para ir buscar em sua casa uma pequena caixa, que ela guardava numa velha escrivaninha. No momento em que toquei na caixa já senti, pelo formigamento dos meus dedos, que tinha nas mãos um grande segredo. Deu-me a caixa e tive de fazer-lhe uma promessa: logo que ela morresse, tinha de queimar tudo, sem abrir, depois de certas cerimônias. Não cumpri minha promessa.
-Não diga!Foi muito feiode sua parte! - exclamou Digory.
-Feio? - perguntou tio André, muito admirado. - Ah, estou entendendo. Está querendo dizer que os meninos devem cumprir suas promessas. Muito bem, estou gostando de ver. Mas também deve admitir que essas regras morais, embora excelentes para as crianças... e para a criadagem... e para as mulheres... e para as pessoas em geral... não podem ser aplicadas aos grandes estudiosos, aos grandes sábios, aos grandes pensadores. Não Digory! Homens como eu, conhecedores da sabedoria oculta, não estão presos a essas regras vulgares... do mesmo modo como estamos distanciados dos prazeres vulgares. Nosso destino, meu filho, é solitário, mas está acima de tudo.